Edith Blin

Visão geral

Edith Blin (Pontorson, 22 de julho de 1891 — Rio de Janeiro, 29 de julho de 1983), foi uma pintora francesa.
A partir de 1935, Edith se radicou no Brasil, fugindo do nazismo e do prenúncio do que viria a ser a Segunda Guerra Mundial. Autodidata, começou a pintar em 1942, com o tema da Resistência Francesa, retratando todo o trauma vivido pela França durante o conflito mundial.
Para Walmir Ayala: “Sua pintura figurativa serve-se do instrumental expressionista para exprimir um estado de espírito permanentemente contestador da injustiça e do desamor.”

Trajetória e contexto

Os primeiros 50 anos
Pontorson, a cidade natal de Edith Blin, pertence à região da Normandia, na França, e fica em frente ao Monte Saint-Michel. Os pais de Edith se chamavam Marie Pivert e Edouard Blin. O casal teve três filhos, sendo Edith a primogênita.
Quando tinha 17 anos, o pai morreu. Casou-se com um farmacêutico da família Châtel e teve seu primeiro filho aos 18 anos, Bob. Roberto de Arruda Nóbrega Beltrão foi o segundo marido de Edith. Era diplomata, adido do consulado brasileiro a serviço na Europa, filho de Heitor da Nóbrega Beltrão, um dos presidentes do Tijuca Tênis Clube. Roberto pertencia a uma família tradicional, estabelecida no Rio de Janeiro, mas de origem pernambucana. Em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, nasceu Jorge, o segundo filho e, em 1923, nasceu Ivan, o terceiro e último filho de Edith.

Na década de 1920, Edith trabalhou como atriz na Companhia de Teatro Molière, em Bruxelas. Usava o nome Edith Dereine. Em 1926, conheceu Georges Wambach (1902-1965), aquarelista nascido em Anvers/Bélgica. Foi em companhia de Wambach, de seu marido Roberto e dos dois filhos mais novos que Edith aportou pela primeira vez no Brasil, em 25 de julho de 1935, a bordo do navio Bagé, fugindo do avanço do fascismo e do nazismo, que paralisavam a vida artística europeia.

A carreira como pintora
No início dos anos 40, no Brasil, quando a Segunda Guerra Mundial estava no seu auge na Europa, Edith perguntou a Wambach como ele podia continuar a pintar paisagens, enquanto os seus patrícios sofriam e caíam mortos pelos campos da Europa devastada. Wambach respondeu: “Quer pintar a guerra? Então pinte você!”
Esse episódio se deu em 1942. Um ano depois, ela fez sua primeira exposição. Em 1945 e em 1946, mais duas exposições. Os temas apresentados nessas três primeiras exposições foram a Resistência Francesa, nus e retratos. E Edith colecionava as matérias que saíam nos jornais e revistas da época.

Em 1947, em companhia de sua mãe doente, Edith voltou para a França, fazendo mais duas exposições, uma em Paris e outra em Caen. Ela doou a obra “Pietá“ para ser leiloada em prol do Monumento Comunal do Cemitério Militar de Tourville-sur-Odon. A doação da obra deu origem a um manuscrito relatando a batalha de Tourville-sur-Odon, de agradecimento da cidade para Edith. Após a morte de sua mãe, em 1948 nasceu Catherine, neta de Edith, filha do seu filho Ivan. Devido a problemas de saúde de sua nora, Edith assumiu a criação de Catherine, o que iria transformar a trajetória de sua vida.
Em 1949, Edith voltou ao Brasil. Habitou no Rio de Janeiro. Foram três décadas de trabalho constante, dedicadas à Arte, pintando e fazendo restaurações. A década de 50 foi dedicada a pintar paisagens e flores. Ainda na década de 50, Edith também iniciou seus trabalhos em pastel sobre cartolina preta. Realizou a série “As Bailarinas”; trabalhando o pastel com a ponta dos dedos, o que lhe destruiu, com o passar do tempo, as impressões digitais.
Em 1964, Edith foi morar em São Paulo. Foi um ano de grande produção para Edith. Ela passou a utilizar, definitivamente, a cartolina preta como principal suporte para seus trabalhos, inclusive os realizados a óleo. Dizia que era mais fácil rasgar o papel do que a tela, caso não gostasse do resultado produzido. A feitura ficou cada vez mais agressiva, com a utilização da espátula, ao invés do pincel.
Em 1965, Edith volta para o Rio de Janeiro. Em 1969, faz uma exposição na Galeria Montmartre Jorge, explorando principalmente os temas religioso, hippie e os pierrôs. Na década de 70, já octogenária, Edith realizou a maioria de suas obras de tema religioso, naturezas-mortas e a série “Uvas e trigo”. É também desta época grande parte de seus pierrôs, tema de uma exposição em 1979, na Biblioteca Regional da Lagoa.
Em 1980, Edith sofreu o primeiro dos seus vários acidentes vasculares cerebrais. Até 1983, ano de sua morte, ela alternou épocas de relativa lucidez com outras de quase total paralisia física e psíquica. Em 1982, foi realizada a última exposição em vida de pinturas de Edith. Morreu em 29 de julho de 1983, sendo sepultada no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Três anos depois, seu corpo foi exumado e seus restos mortais levados para o jazigo da família, no Cemitério Parque Jardim da Saudade, em Jacarepaguá.

Estilo, obra e legado

Principais Obras
Maquis, 1945
Pietá, 1947
Paris!, 1944
Junho 1940, 1943
Nu radioso, 1945
Violeta de Parma, 1944
Sereia, 1945
Convento em Ouro Preto, 1944
Ipanema com o Morro Dois Irmãos, 1949
Braçada de Flores, déc. 50
Flores em ascensão, 1955
Julieta (Bailarina vestida de azul), 1957
A bailarina com tutu amarelo, 1957
Einstein e Rabindranath Tagore, déc. 60
Paixão, 1964
Boina vermelha, 1970
Retrato de Vera segurando o cabelo, 1972
Retrato de Catherine marquesa, déc. 70
Renascer é preciso, 1979
Desafio, 1979

Exposições individuais
1943 – Palace Hotel – Rio de Janeiro
1945 – Galeria Montparnasse – Rio de Janeiro
1946 – Palace Hotel – Rio de Janeiro
1947 – Galerie Séverin-Mars – Paris
1947 – École des Beaux-Arts – Caen
1969 – Galeria Montmartre-Jorge – Rio de Janeiro
1979 – Galeria da Biblioteca Regional da Lagoa – Rio de Janeiro
1982 – Galeria Espaço – Planetário – Rio de Janeiro

Em 1947, Edith Blin recebeu um manuscrito relatando a batalha de Tourville-sur-Odon, com o agradecimento da cidade, por ter doado a obra “Piétà” para ser leiloada em prol do Monumento Comunal do Cemitério Militar de Tourville-sur-Odon.
Além do Diploma de Gente em Destaque em Pintura, concedido em 1980 pelo Jornal “O Globo”, da Moção de Louvor, recebida em 1981 e conferida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e do Diploma-Homenagem Dia do Artista Plástico, concedido em 1983 pelas Tintas Águia, a Prefeitura de São Paulo concedeu a Edith Blin a atribuição de seu nome a uma rua do bairro Engenheiro Marsilac, com o CEP 04891-255.

1986 – Sala de Exposições do Hotel San Marco – Brasília
1986 – CIAC – Centre International d’Art Contenporain – Paris
1991 – Exposição do Centenário – Galeria PresenteArte – Rio de Janeiro
Participação em Leilões:

Fonte

Pagina do artista na Wikipedia