Bernardo Grasselli
Bernardo Grasselli (Itália, ? — Porto Alegre, 1883) foi um artista italiano radicado em solo brasileiro que atuou como decorador, cenógrafo, pintor, professor e fotógrafo. Conforme era comum na sua época, ele exercia múltiplas funções profissionais simultaneamente.
Antes de se estabelecer definitivamente no Brasil, Grasselli viveu no Uruguai entre os anos de 1843 e 1851, período em que se envolveu na vida política local. Por volta de 1847, ele passou uma temporada na cidade de Rio Grande realizando retratos a óleo e, no mesmo período, foi o responsável pela criação do pano de boca do Teatro Sete de Abril, situado em Pelotas. Sua mudança para o Brasil ocorreu em 1852, vindo a fixar residência em Porto Alegre no ano seguinte.
A trajetória artística de Grasselli na capital gaúcha teve início documentado com a execução do pano de boca do Teatro D. Pedro II. Já em 1855, ele foi amplamente elogiado pela imprensa por seu trabalho de decoração no salão do Café da Fama, época em que também produziu o pano de boca para a Sociedade Dramática União Porto-Alegrense. Segundo as observações do historiador Athos Damasceno, o artista possuía uma formação sólida e uma espontaneidade notável, o que o levou a aceitar diversas encomendas de retratos. Nessa área específica, ele rapidamente conquistou prestígio, sendo o autor do retrato de David Canabarro, peça que hoje integra o acervo do Museu Júlio de Castilhos. Sua reputação foi consolidada em 1856, após desenhar um retrato litográfico de Gaspar Menna Barreto para a revista O Guaíba, impresso na oficina de Emílio Wiedmann.
Ao longo da década de 1860, Grasselli manteve sua produção ativa, criando um novo pano de boca para o Teatro Sete de Abril em 1861 e retornando a Rio Grande em 1864 para trabalhar com ambrótipos e pinturas a óleo. Em 1867, recebeu a importante tarefa de produzir dois panos de boca para o suntuoso Theatro São Pedro: um deles exibia a cidade de Porto Alegre ao amanhecer e o outro retratava as figuras mitológicas de Netuno e Anfitrite em um carro triunfal.
Na década seguinte, o artista passou a exibir suas telas em vitrines comerciais, já que a cidade ainda não dispunha de galerias de arte. Sua participação na Exposição Comercial e Industrial de 1875, onde apresentou quatro telas, reafirmou sua importância no cenário local, sendo comparado ao renomado pintor Antônio Cândido de Menezes. Naquele mesmo ano, ele executou com grande sucesso um painel alegórico para o sétimo aniversário da Sociedade Partenon Literário, representando o Brasil sob a proteção da deusa Minerva. Além disso, Grasselli contribuiu para a arte sacra com uma representação de Santa Cecília para a Igreja das Dores e dedicou seus últimos anos ao ensino de desenho no Instituto Brasileiro, integrando o curso artístico de Apolinário Porto Alegre.
Apesar de ter deixado um legado consistente em todas as áreas em que operou, a morte de Bernardo Grasselli causou profunda tristeza na comunidade porto-alegrense. Embora hoje seu nome não seja amplamente lembrado e muitos de seus cenários tenham se perdido ou estejam em locais desconhecidos, sua atuação foi fundamental para o desenvolvimento e a dinamização do mercado artístico no Rio Grande do Sul durante o século XIX.