Cohen Fusé

Luís Cohen Fusé (20 de agosto de 1944 — Estoril, 4 de julho de 2019) foi um artista plástico, pintor e arquiteto hispano-argentino.

Trajetória e contexto

Nascido em Buenos Aires em 1944, Luis Cohen Fusé cresceu em uma família de origens europeias e demonstrou, desde cedo, inclinação pelas artes e pela cultura oriental. Essa paixão o levou a estudar artes plásticas e cerâmica em Mar del Plata, cidade onde passou a juventude. Embora tenha se graduado em Arquitetura pela Universidade de Buenos Aires em 1973, Fusé sempre conciliou os estudos com a criação cenográfica para teatro e dança. Após uma viagem à Europa, fixou residência em Barcelona, abandonando a arquitetura para se entregar totalmente às artes visuais. Na Espanha, aprimorou-se em gravura e conviveu com mestres como Salvador Dalí, cujos ensinamentos foram cruciais para sua trajetória. Naturalizado espanhol em 1976, mudou-se para Madrid nos anos 80, mas foi em 1982, ao visitar Portugal, que encontrou sua morada definitiva. Encantado pela luminosidade do Estoril, viveu na região até o seu falecimento, em julho de 2019.

No ano de 1988, o artista assinou com a Vorpal Gallery, o que resultou em exposições nos Estados Unidos, com foco em Nova York e San Francisco, além de exibições no Canadá. Sua trajetória em mostras individuais e coletivas é extensa, ocorrendo desde 1963 em países como Argentina, Brasil, Venezuela, Bélgica, Espanha, Portugal e EUA. Além disso, ele possui um trabalho considerável em pintura mural e azulejaria distribuído globalmente. Sendo um criador versátil e multifacetado, explorou diversos suportes, incluindo o design de joias, esculturas, afrescos, azulejos, figurinos para teatro e dança, além da pintura de cavalete.

Atualmente, sua produção integra diversas instituições e coleções particulares de prestígio, tanto em Portugal quanto no exterior. Entre os destaques estão a Caja Madrid e a Fundação Miró na Espanha, o Banco Comercial Português, a Coleção Estoril Sol, os museus de Lérida e de Arqueologia e Etnografia de Setúbal, além do Banco Português do Atlântico e do ICEP em Lisboa. Outras coleções relevantes incluem a do Conde du Barry em Paris, de Maximiliano de Habsburgo em Berlim, a Coleção Adría em Barcelona, e os acervos do Palácio da Ajuda, do Palácio Marquês de Pombal e da Fundação D. Luis em Cascais.

Em Portugal, algumas de suas exposições mais marcantes ocorreram no Palácio da Ajuda em 2003, onde foi o primeiro estrangeiro convidado a expor com a mostra “Um olhar sobre o Palácio”, trazendo uma releitura dos interiores e do Jardim Botânico. Outros momentos importantes foram a exposição no Instituto Cervantes em 2008, a mostra “Instintos Oníricos” na Fundação Don Luis em 2012 e, notavelmente, a retrospectiva “Namban” no Museu do Oriente em 2015, que apresentou ao público mais de 40 de suas obras.