Nicolaes Berchem

Visão Geral e Estilo Artístico

Nicolaes Pieterszoon Berchem (Haarlem, 1622 — Amsterdã, 1683), também registrado como Nicolaes Berighem, destacou-se como um dos mais produtivos e respeitados pintores da Idade de Ouro Holandesa. Sua vasta produção artística abrange alegorias, cenas de gênero e, principalmente, paisagens pastorais ambientadas com elementos bíblicos ou mitológicos.

Berchem integrou a segunda geração dos pintores conhecidos como “paisagistas holandeses italianizados”. Esse grupo viajava para a Itália (ou buscava inspiração no país) para capturar a atmosfera romântica da região, acumulando esboços de ruínas clássicas e cenários bucólicos. Suas obras — marcadas por relevos montanhosos, penhascos e vegetação banhados por uma luz dourada de amanhecer — eram altamente cobiçadas pelo mercado da época. Embora o historiador Hofstede de Groot tenha lhe atribuído cerca de 850 pinturas (número inflado por atribuições incorretas), seu catálogo autêntico inclui 80 águas-fortes e aproximadamente 500 desenhos. Reconhecido por sua habilidade em retratar figuras humanas e animais de forma expressiva, ele frequentemente colaborava pintando esses elementos (staffage) nos cenários de colegas como Jan Hackaert, Gerrit Dou, Meindert Hobbema, Allaert van Everdingen e Willem Schellinks.

Formação e Origem do Nome

Nascido em Haarlem, iniciou seus estudos artísticos com seu pai, o pintor de naturezas-mortas Pieter Claesz. Posteriormente, aperfeiçoou-se com mestres renomados como Jan van Goyen, Pieter de Grebber, Jan Baptist Weenix, Jan Wils e Claes Cornelisz Moeyaert.

O biógrafo Arnold Houbraken relata histórias curiosas sobre a origem do sobrenome “Berchem”. Uma delas sugere que seus colegas no ateliê de Van Goyen gritavam “Berg hem!” (“Salve-o!”) quando seu pai tentava agredi-lo. Outra versão associa a expressão ao período em que ele quase foi recrutado como marinheiro, sendo dispensado com a mesma frase por um conhecido no porto. Contudo, a historiografia atual aponta que o nome deriva de Berchem, na Antuérpia, cidade natal de seu pai. Registros do RKD (Instituto Holandês de História da Arte) indicam que ele viajou à Itália entre 1642 e 1645 acompanhado de seu primo, Jan Baptist Weenix. Suas telas costumavam ser assinadas como “Berchem” ou “CBerghem”.

Vida Pessoal e Deslocamentos

Em 1645, Berchem ingressou na Igreja Reformada Holandesa e, no ano seguinte, casou-se com a filha do pintor Jan Wils. Segundo relatos da época, sua esposa controlava rigidamente as finanças da casa. Para conseguir comprar gravuras para sua coleção particular, o artista pedia empréstimos secretos a alunos e colegas, quitando as dívidas com o dinheiro de quadros que pintava às escondidas dela.

Por volta de 1650, viajou para a Westfália ao lado de Jacob van Ruisdael, registrando em tela o Castelo de Bentheim. É provável que ele tenha feito uma segunda viagem à Itália após esse período, já que sua presença na Holanda não é documentada entre 1650 e 1656. Na década de 1660, colaborou com o gravador Jan de Visscher na ilustração de um atlas. Berchem alternou sua residência entre Amsterdã e Haarlem ao longo das décadas de 1660 e 1670, vindo a falecer em Amsterdã no ano de 1683.

Legado e Discípulos

Muito popular como orientador, Berchem formou uma longa lista de alunos de destaque, incluindo:

  • Pieter de Hooch
  • Karel Dujardin
  • Jacob Ochtervelt
  • Justus van Huysum
  • Johannes Glauber
  • Abraham Begeyn

Ele também foi tio dos pintores Govert e Pieter van der Leeuw. Sua estética romântica e luminosa deixou um impacto duradouro na história da arte, influenciando diretamente o pintor rococó francês Jean-Baptiste Pillement e o expoente do romantismo holandês Barend Cornelis Koekkoek.